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Trabalho remoto internacional: É melhor ou é mito?

O que se pode esperar da experiência de um trabalho remoto internacional? É melhor ou é mito?

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Palavras-chave:trabalho, remoto, internacional, home office, carreira, comparação, opinião

Trabalho remoto internacional: É melhor ou é mito?

Este texto faz parte de uma pequena série de artigos sobre trabalho remoto internacional com foco no mercado de TI. Compartilho um pouco da minha experiência a respeito, alguns detalhes sobre o tema e a realidade ao redor dele, segundo o que tenho percebido.

Se você tiver interesse nos demais textos a respeito, confira o conteúdo no blog. Algumas coisas podem te surpreender...

Tudo o que é estrangeiro é melhor?

É muito comum no conceito coletivo (e posso dizer isso muito bem sobre o Brasil) a ideia de que tudo o que é estrangeiro, importado ou internacional é melhor do que o que temos no nosso próprio país. Mas nem sempre isso é verdade... (Alguém aí pensou em importados do Paraguai ou da China?)

Mas, acima de tudo, no consciente coletivo brasileiro existe a ideia de que tudo o que é norte-americano ou europeu é sempre melhor do que qualquer coisa no Brasil. E é claro que essa ideia se estende ao trabalho internacional.

Provavelmente a maioria dos brasileiros deve alimentar a expectativa de que trabalhar para empresas estrangeiras, com pessoas estrangeiras, com projetos internacionais, será algo perfeito e surreal simplesmente pelo fato de ser internacional. Que não terão problemas comuns de trabalho, comunicação, relacionamento, etc... Que tudo no trabalho será de outro nível, que todo mundo será muito melhor em tudo, que códigos não terão erros ou serão muito mais bem feitos, que o suporte técnico e a infra devem ser formados por gurus da tecnologia que resolvem qualquer coisa de modo fácil, rápido e tranquilo, etc...

Será que é isso mesmo?

E não é?

Depende, do que estamos falando? É sobre o que você espera do trabalho ou sobre o que o trabalho espera de você?

Lembre-se de um pequeno detalhe: Para a empresa estrangeira que te contrata, o estrangeiro é você. Você é mão-de-obra importada! Deste ponto de vista, a coisa pode mudar um pouco de figura...

De certa forma, na mente de qualquer pessoa no mundo, importar algo significa não ter disponível nacionalmente ou buscar uma qualidade ou custo-benfício diferente do que é nacional.

Então, tenha certeza de que lá do outro lado alguém também terá expectativas sobre o seu trabalho a respeito de "Uau, foi necessário buscar um profissional de outro país para esta função!".

Eu acredito que este deve ser o entendimento primário na mentalidade de quem se lança a um trabalho internacional. Por isso, valorize-se a si mesmo como profissional em primeiro lugar, como uma força de trabalho estrangeira contratada por alguém que precisa.

E digo mais, seja você a diferença que você acredita que deve haver em um trabalho, seja internacional ou não. Pois, se você não é esse tipo de profissional no seu mercado de trabalho nacional, possivelmente também não será bem visto como profissional no mercado internacional.

Além disso, não trate um trabalho internacional como melhor do que os nacionais, pois pode ser muito relativo o que é melhor para uma pessoa ou para outra. E trabalhos internacionais, assim como os nacionais, também não são perfeitos e podem ter lá os seus problemas.

Problemas?

Sim, problemas! Comece pensando exatamente sobre o que acabei de comentar acima...

Uma empresa que precisa buscar profissionais em outros países, com certeza já está contornando um problema, que pode ser a escassez de mão-de-obra qualificada no mercado de trabalho local ou pode até ser a necessidade de buscar mão-de-obra mais "barata" e mais disponível em outros países.

Outro ponto a se pensar é que o trabalho feito em outro país não é perfeito ou tecnicamente mais aprimorado apenas pelo simples fato de ser em outro país que você entende como mais desenvolvido que o seu.

Profissionais estrangeiros não são melhores do que você só por serem estrangeiros. Empresas estrangeiras não serão perfeitas só por serem estrangeiras. Você poderá encontrar problemas na forma como o trabalho é feito lá também, ou na maneira como os projetos são gerenciados, ou na forma como equipes lidam com código compartilhado, ou na comunicação interna da empresa...

Enfim, é uma lógica simples: se as empresas estrangeiras estivessem em um nível superior de qualidade de trabalho e tivessem excelente mão-de-obra suficientemente disponível com seu mercado de profissionais locais... não buscariam profissionais em outros países. Se tudo estivesse perfeito, não precisariam de ajuda extra e importada para resolver nada.

É claro que existe a questão do custo, em que geralmente pode ser mais fácil criar oportunidades atraentes para profissionais de países menos desenvolvidos, como já comentei em um artigo anterior. Mas, não é só uma questão de custo, e sim de custo-benefício.

Ou seja, nenhuma empresa pagará por uma mão-de-obra que não seja suficientemente qualificada para a sua função, seja ela nacional ou internacional. E quando digo "qualificada", entenda como "apta para resolver os problemas da empresa contratante".

Portanto, sim, espere lidar com problemas, muitas vezes bem semelhantes aos que vemos em trabalhos no nosso próprio país!

Talvez a grande diferença seja o fato de que um problema muito comum em trabalhos no Brasil parece não existir nesses trabalhos remotos internacionais, que é a questão da relação Função x Responsabilidade x Remuneração. Como também já comentei em outro artigo, essa relação costuma ser mais adequada nas oportunidades internacionais.

Conclusão

Ok, podem haver outros motivos que você levaria em consideração para avaliar se um trabalho remoto internacional seria melhor do que um nacional.

Por exemplo, algumas pessoas podem considerar apenas a questão da remuneração, outras a experiência em si, etc... Mas o fato é que, um trabalho remoto internacinoal não será algo "de outro mundo", só é de outro país mesmo! 😁

Se você é por exemplo um engenheiro de software como eu, o trabalho num geral não será muito diferente simplesmente pelo fato de ser internacional. Você continuará lidando com situações muito semelhantes às que já vemos em muitos trabalhos desse tipo no Brasil.

Portanto, "melhor ou mito" depende do ponto de vista e da experiência de cada um, independente de trabalho nacional ou internacional. O mesmo poderia até se aplicar também à comparação de trabalhar em uma empresa menos conhecida ou outra de maior "renome", mesmo no Brasil. Mas isso já poderia ser tema para outra conversa...